Desaceleração Econômica e Desconfiança do Mercado.

O início de 2025 trouxe sinais de crescimento econômico no Brasil, com avanços nos setores industriais, de serviços e comércio. A produção industrial aumentou 1,9% no primeiro trimestre, enquanto o setor de serviços avançou 2,4%, e o comércio varejista expandiu-se 1,2%. Além disso, o país registrou uma safra recorde de grãos, estimada em 328,4 milhões de toneladas, 12,2% maior que no ano anterior.

Apesar desses avanços, o mercado financeiro demonstra cautela. O Índice Bovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, apresentou desempenho abaixo do esperado, refletindo a desconfiança dos investidores. Além disso, o dólar se manteve valorizado, indicando receio em relação à economia nacional.

Um dos principais fatores que contribuem para essa desconfiança é a inflação, que permanece elevada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 1,23% em fevereiro, acumulando 4,96% nos últimos 12 meses, acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

Além disso, a política fiscal do governo federal tem gerado incertezas. Apesar do superávit primário de R$ 54,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, o rombo fiscal estimado para 2025 é de R$ 64,2 bilhões, e para 2026, de R$ 128 bilhões. Esse cenário levanta preocupações sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade do governo de controlar a dívida pública.

Por fim, a instabilidade política também influencia o otimismo do mercado. A proximidade das eleições presidenciais de 2026 gera incertezas sobre as políticas econômicas futuras, o que pode afetar negativamente as expectativas dos investidores.

Desafios Fiscais e Perspectivas para 2025.

O cenário fiscal do Brasil em 2025 é marcado por desafios significativos. Apesar do superávit primário registrado nos três primeiros meses do ano, o governo enfrenta dificuldades para controlar os gastos públicos. A pressão por investimentos em áreas sociais e a necessidade de atender a compromissos eleitorais aumentam as despesas, dificultando o equilíbrio fiscal.

A elevada dívida pública é outro ponto de preocupação. Com o aumento dos juros, o custo da dívida cresce, comprometendo uma parte significativa do orçamento federal. Esse cenário limita a capacidade do governo de investir em áreas estratégicas e pode afetar a confiança dos investidores na economia brasileira.

Além disso, a inflação persistente representa um desafio adicional. Com o IPCA acima da meta estabelecida pelo Banco Central, há pressão para que a taxa de juros seja mantida em níveis elevados, o que pode desestimular o consumo e o investimento. Esse ciclo pode resultar em um crescimento econômico mais lento do que o desejado.

A perspectiva de recessão técnica também preocupa. Algumas instituições financeiras já projetam dois trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), caracterizando uma recessão técnica. Esse cenário pode afetar negativamente o mercado de trabalho e aumentar a pressão sobre as finanças públicas.

Diante desses desafios, é essencial que o governo adote políticas fiscais responsáveis e busque o equilíbrio entre crescimento econômico e controle da inflação. Somente com uma gestão fiscal eficiente será possível restaurar a confiança do mercado e garantir um desenvolvimento sustentável para o país.

Conclusão.

Apesar dos avanços registrados no primeiro trimestre de 2025, como o crescimento de setores produtivos e a safra agrícola recorde, o mercado mantém uma postura cautelosa diante de desafios persistentes, como o desequilíbrio fiscal, a inflação acima da meta e a instabilidade política. Esses fatores comprometem a confiança dos investidores e colocam em dúvida a sustentabilidade do crescimento econômico. Para reverter esse cenário, é essencial que o governo adote políticas fiscais responsáveis e promova maior previsibilidade econômica, transformando os resultados positivos de curto prazo em bases sólidas para o desenvolvimento futuro.

Aquecimento do Emprego e Dinamismo Econômico.

O mercado de trabalho brasileiro segue apresentando sinais de força, com alta taxa de ocupação e aumento na formalização dos empregos. Mesmo com um cenário macroeconômico desafiador, o número de pessoas empregadas se mantém elevado.

Esse movimento é impulsionado, em parte, pela recuperação de setores como serviços, comércio e construção civil, que têm gerado vagas de forma consistente.

Além disso, políticas de transferência de renda e o aumento do consumo das famílias também ajudam a sustentar o ritmo da economia.

Outro fator relevante é o aumento da produtividade em algumas áreas, o que tem favorecido contratações mais robustas.

No entanto, essa força do mercado de trabalho pode postergar os efeitos esperados da política monetária, como a redução da inflação.

Efeitos dos Juros Altos e sua Defasagem no Emprego.

As altas taxas de juros adotadas pelo Banco Central têm como objetivo controlar a inflação, mas seus efeitos são percebidos de forma desigual entre os setores.

No caso do mercado de trabalho, os impactos costumam demorar mais para aparecer, já que empresas evitam demissões imediatas e buscam manter suas equipes pelo maior tempo possível.

Isso significa que, mesmo com o crédito mais caro e retração nos investimentos, o emprego tende a responder por último às medidas contracionistas.

Além disso, há um intervalo natural entre o aumento dos juros e sua influência na atividade econômica real, o que torna o emprego um indicador defasado.

Portanto, mesmo com sinais de desaceleração em outros setores, o trabalho formal e informal pode se manter aquecido por mais tempo.

Conclusão.

O atual cenário brasileiro mostra um mercado de trabalho resistente diante de juros elevados, o que traz tanto oportunidades quanto desafios. Embora o emprego forte ajude a manter o consumo e a economia girando, ele também pode dificultar o controle da inflação. A resposta tardia do mercado de trabalho à política monetária reforça a importância de estratégias equilibradas que considerem os diferentes ritmos da economia. O desafio está em manter o crescimento do emprego sem comprometer os objetivos macroeconômicos.

Aumentam os rendimentos dos brasileiros.

O rendimento dos brasileiros ficou acima da média apesar da taxa de desemprego ter uma pequena alta.

O rendimento corresponde à quantia total recebida por uma pessoa pelo seu trabalho, até o primeiro trimestre de 2025, esse valor alcançou 342 bilhões de reais.

A taxa de desemprego finalizou o trimestre de 2025 em 6,8% ante 6,5% do trimestre anterior.

Mesmo com a pressão inflacionária e as altas taxas de juros, os rendimentos dos brasileiros estão em crescimento.

O consumo em alta é um indicador que os brasileiros estão com seus rendimentos mais altos.

A demanda está alta?

O rendimento dos brasileiros mais alto é sinal de uma alta na demanda de consumo.

Isso pode ligar um alerta ao Banco Central que terá trabalho para controlar a inflação.

Mesmo com a inflação alta, o consumo vem aumentando, o que pode contribuir para um aumento ainda maior da inflação.

Com isso, o Banco Central terá que entrar com aumento na taxa de juros para esfriar o consumo.

Mesmo com as tradicionais demissões de funcionários temporários no início do ano, os trabalhadores informais e formais com carteira assinada vem aumentando, o que pode indicar um crescimento econômico apesar de uma possível recessão.

Conclusão.

O aumento no rendimento e o grande consumo dos brasileiros pode indicar que o Brasil esteja no caminho de um crescimento econômico apesar de todas notícias ruins de uma possível desaceleração econômica.

PEC da jornada 6×1.

O assunto mais falado nas últimas semanas foi sobre a PEC da jornada 6×1.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) proposta pela deputada federal Erika Hilton(PSOL-SP) visa alterar o 7° artigo da constituição que trata da jornada de trabalho.

A proposta altera a atual jornada de trabalho de 44 horas semanais para 36 horas semanais.

A justificativa para alteração proposta pela PEC foi o desejo de aumentar a qualidade de vida do trabalhador com a família e mais tempo para se capacitar por meio de cursos ou ingresso à faculdades.

Outra justificativa, foi a tendência mundial na redução da jornada de trabalho, países como Alemanha, Canadá e Holanda já implementaram jornadas de 32 horas semanais em média.

Impactos na economia brasileira.

Um setor que seria favorecido seria o de lazer e eventos, que aumentaria o consumo de bares, restaurante, cinemas, teatros, shows, entre outros do setor de entretenimento.

O varejo será mais impactado negativamente, uma vez que o custo de produção aumentará e isso será repassado para o consumidor.

Apesar da PEC visar o aumento na contratação, a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) diz que a redução da jornada de trabalho poderá gerar demissões em massa e fechamento de empresas.

Segundo especialistas da CNC, a redução da jornada de trabalho para criação de novos empregos não se sustenta, o que cria novos empregos é o crescimento econômico.

Empresarios no setor de farmácias, postos de gasolina, padarias, entre outros estabelecimentos que funcionam praticamente todos os dias e longos horários do dia, seriam muito afetados pois contratam muitos trabalhadores.

Conclusão.

A redução na jornada de trabalho é uma tendência em grandes países de primeiro mundo, mas aqui no Brasil, existem dúvidas se a redução na jornada de trabalho ajudaria a aumentar o número de contratação ao mesmo tempo que a qualidade de vida do trabalhador melhora.

Proposta de aumento no salário mínimo.

Com o ano de 2024 quase acabando, um dos tópicos discutidos pelo governo federal é o aumento do salário mínimo.

A proposta apresentada pelo governo foi de um aumento no salário mínimo para R$1509,00 para o próximo ano.

O aumento não só reajusta o rendimento dos brasileiros como aumenta a possibilidade de consumo no país.

A dúvida é se o aumento é suficiente para suprir a defasagem que o poder de compra já sofreu?

Com os aumentos dos preços dos últimos anos, pode ser que o aumento no salário mínimo não seja suficiente para cobrir todas as despesas, principalmente dos aposentados.

Quais são os próximos passos?

A proposta de aumento ainda deve passar pela aprovação do congresso nacional.

O congresso analisará os impactos econômicos, fará uma comparação entre o salário mínimo nominal e o necessário e os impactos sobre as empresas.

Para o cofre público um aumento de 6,87% que aumenta o salário mínimo hoje de R$1412,00 para R$1509,00 pode ser um desafio.

Pelos cálculos dos especialistas, o aumento de 97 Reais poderá gerar um aumento de 38 bilhões de Reais nas despesas obrigatórias.

Dito isso, o cenário pode ser bem desafiador para a economia e para o governo federal resolver essa obrigação.

Conclusão.

O governo federal tem uma “bomba” nas mãos para resolver a questão do aumento no salário mínimo brasileiro, uma vez que os cofres públicos estão defasados e a única saída seria aumento de impostos, o que vai gerar mais revolta na população.

Economia brasileira 2023 na reta final.

O IBC-Br fez uma prévia sobre o PIB brasileiro e considerou um pequeno encolhimento de 0,6% em média, acreditando em um PIB de 2,5% para 2023.

Economistas mais conservadores acreditam em um PIB de 2%, o que seria uma decepção para o Governo Federal que esperava um PIB acima de 3% para 2023.

Isso tudo se dá devido ao crédito alto, baixo consumo, queda no setor de serviços, inadimplência e claro, as dúvidas sobre as políticas fiscais fizeram com que a economia interna não tivesse um bom ano.

Além disso, na última quarta(22/11/2023), o Ministério da Fazenda informou que o rombo das contas públicas é de 177 bilhões e não de 141 bilhões, que já era uma quantia elevada.

Nesse cenário, dificilmente o Governo federal conseguirá alcançar a meta de zerar o déficit primário, o que aumentará a desconfiança dos investidores.

Outros desafios.

Na última quinta-feira(23/11/2023) foi vetada a desoneração da folha de pagamentos, e agora a medida é válida até 31 de Dezembro deste ano.

Isso foi o suficiente para gerar uma chuva de críticas por parte de entidades patronais e centrais sindicais que não aceitam o fim da desoneração da folha de pagamento.

Adotada desde 2011, a desoneração da folha de pagamentos é um benefício fiscal que substitui a contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre a folha de salários, por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

São 17 setores econômicos que serão afetados com o fim da desoneração da folha de pagamento, e segundo empresários dos setores afetados, isso iniciará uma série de demissões durante os próximos anos.

A esperança dos empresários dos setores é que a desoneração da folha de pagamentos seja barrada no congresso nacional.

Conclusão.

O buraco das contas públicas está maior do que imaginamos, e agora o Governo Federal irá fazer de tudo para arrecadar receita através de novas taxas e impostos.

Prever a economia com os indicadores.

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Sabia que alguns indicadores econômicos podem nos ajudar a prever a economia?

Logicamente não é uma previsão com 100% de assertividade, mas podemos ter uma ideia da economia futura.

Ter uma previsão, nem que seja com 10% de assertividade pode ajudar a fazer investimentos melhores.

Mas deve-se analisar o indicador certo para cada segmento, vendas, preços, investimentos, juros, entre outros.

Outra forma de analisar algum segmento é cruzar vários índices, por exemplo, cruzar índice da Inflação e pesquisa de confiança no País para analisar vendas.

Alguns exemplos de indicadores.

Índice de confiança do consumidor é uma pesquisa feita a todas as classes sociais para medir a confiança na economia do país, é um ótimo indicador para medir vendas.

Indicadores de atividade setorial é feita uma pesquisa com executivos de diferentes setores para medir como está a percepção de crescimento no setor, ótimo indicador para analisar a produção de cada setor.

Bolsa de valores é um ótimo indicador para medir o humor dos investidores e da economia a nível global, ótimo indicador para medir investimentos.

O mercado de trabalho é um ótimo termômetro para medir a economia do país, alem de ser um indicador para medir a possibilidade de aumento de preço dos produtos caso exista dificuldade de encontrar profissionais de determinado setor pois pode haver aumento de salarial.

O Alvará de construção e valorização imobiliária consegue medir o número de futuras construções e a valorização dos imóveis, um indicador para aumento de preços imobiliários e aluguéis e consequentemente aumento da inflação.

Conclusão.

Caso esteja investindo em algum setor, utilize alguns indicadores econômicos para tentar prever o futuro da economia e investir melhor.